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Dayana Martins abandona carreira de juíza para se dedicar à família

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Foto: Reprodução

Por um “propósito de Deus”, juíza Dayana Martins abriu mão de salário de R$ 57 mil em Goiás para se dedicar inteiramente à sua família

Você deixaria um alto salário e um emprego fixo na magistratura pela sua família? Foi isso que fez a juíza Dayana Martins, 39 anos. Ela abriu mão dos seus 16 anos de carreira como juíza alegando ser um “propósito de Deus”. Dayana, que tem 2 filhos, um de 7 e outro de 5 anos optou por deixar o salário mensal de R$ 57 mil para dedicar-se à família.

“Realmente, entendi qual o propósito que Deus tem para minha vida. Nesta descoberta, tive de colocar minha vida na balança. Quantas vidas coloquei na balança? Desta vez, foi a minha”, disse ela, em entrevista ao portal Metrópoles.

A trajetória de Dayana no Judiciário começou aos 19 anos. Ela começou a trabalhar como escrevente; aos 23, foi empossada juíza e, desde então, trabalhou em sete comarcas do Judiciário estadual.

Desde junho deste ano, Dayana começou a pensar no pedido de exoneração. No mês seguinte, saiu de férias, estendidas por 10 dias. Nesse período, ficou em São Paulo, onde acompanhou a mãe para fazer um tratamento por causa de uma leve lesão cerebral.

Dayana deixou a carreira no final de agosto, com último rendimento líquido mensal no valor de R$ 57,5 mil, de acordo com o Portal da Transparência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). Ela disse que hoje tem o privilégio de viver em situação confortável, financeiramente, para se dedicar à família.

Difícil decisão

No dia 23 de agosto, enquanto Dayana arrumava a filha para ir para a escola, a menina a questionou sobre Deus e o momento que ela tem vivido com a família. “Respondi que Deus nos deu o livre-arbítrio”, lembrou. No mesmo dia, Deus “usou” a funcionária de sua casa para que ela tomasse a decisão.

“Nesse dia, ela não apareceu. Então, entendi que eu tinha de fazer escolha de cuidar da minha casa, organizar as crianças, comida, tudo que ela faz, ou dos meus processos”, relatou, ressaltando que a trabalhadora é exemplar e quase nunca chegou atrasada ao serviço.

“Eram 8 horas da manhã e me vi naquele dilema de cuidar dos afazeres da funcionária ou da decisão que tinha para tomar. Pedi muito a Deus que me desse sabedoria e tomasse a decisão certa para mim e minha família. Passei o dia, sentei, escrevi uma carta de exoneração de três linhas”, disse.

Ela afirmou ter ficado pensativa por “entender que toda a família estava envolvida na decisão”. “Meu pai passou fome, veio da pobreza extrema e conseguiu projetar os filhos dele. Ele me pediu para que não fizesse isso. O tempo vai acalmar o coração dele, e uma hora ele vai entender”, relatou.

Possível depressão e o peso da decisão

A família de Dayana imaginou que ela estivesse em crise depressiva. Sugeriu afastamento médico. “Não tenho nenhum sinal de depressão, mas tive, talvez um ano atrás, antes de entender o propósito de Deus”, afirmou. Ela também comentou sua decisão com seu irmão, um cirurgião plástico, e sua irmã, servidora do TJGO.

“A situação me deixava cada vez mais acelerada, porque achava que tinha de produzir mais em menos tempo. Muitas mulheres estão sob pressão, tomando remédios. Não posso delegar mais o que já vinha delegando, que é a construção da minha família, dos meus filhos, o que hoje reputo que, na balança, pesou mais esse propósito de Deus na minha vida”, destacou.

Dayana disse, ainda, que a “magistratura é uma devoção”. “Como no Judiciário não dá para ficar mais ou menos e não aprendi a fazer entrega mais ou menos, meus pais sempre me ensinaram a entregar o melhor e, então, vi que começou a pesar essa entrega. Tive que tomar essa dura decisão, após muito refletir, muita oração”, acentuou.

A Justiça, na avaliação de Dayana, passa por um “momento assoberbado”. “São muitos processos, muitas demandas, e o Judiciário respira o que a sociedade está vivendo. “A gente vive esse momento muito tumultuado, de tantas desavenças, de tantas ofensas, e isso respinga diretamente no nosso labor, no judiciário”, analisou.

Ela conta que a magistratura a ajudou a entender que “o homem não consegue alcançar a paz mesmo se conseguir uma decisão judicial favorável”. “A paz que as pessoas procuram não está na justiça dos homens e sim na justiça de Deus. A justiça dos homens resolve os conflitos do direito, mas a paz e a tranquilidade vêm do alto”, destacou.

Nova vida, nova rotina

Agora, a rotina de Dayana é dedicada ao seu lar. “Eu passo roupa, lavo vasilhas. Falava antes que lavar vasilha, para mim, está sendo terapia. Hoje estou vendo prazer nas pequenas coisas. Falo isso com orgulho, não como vergonha. Tenho esse privilégio de fazer almoço para meus filhos, janta, o que eu nunca tinha feito na vida, nem sabia que eu conseguia cozinhar”, disse. Ela tem auxílio da funcionária para atividades de casa.

Além disso, ela organiza programação para realizar estudo bíblico, assim como faz encontro com amigos e familiares. “Vou muito para a fazenda. Gosto que meus filhos respirem a natureza. Viajar quando der, quando for possível, sem sofrimento”, afirmou.

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